Lembro-me perfeitamente de ter o coração partido.
Lembro-me perfeitamente de ter partido corações.
É triste, é doloroso, e mata-nos de dentro para fora, lenta e progressivamente... Quando nos partem o coração parece que tudo nos cai sobre os pés, que a gravidade nos puxa ainda mais para o interior da terra mas, ao fim e ao cabo, é apenas o coração a ser completamente despedaçado. E não vale a pena todas aquelas almas penosas nos virem dizer que tudo vai passar, que tudo vai ficar bem e que é apenas uma fase, que somos fortes e ultrapassamos porque, naquela altura, não é que não saibamos que algum dia as coisas terão que melhorar e seremos felizes outra vez, apenas não estamos com discernimento suficiente para tal... Porque, afinal, os sentimentos e as emoções têm a capacidade de nos fazer sentir coisas que nunca sentimos e de pensar coisas que nunca pensámos, têm a capacidade de nos deixar loucos, desnorteados, alienados da vida por completo. Ás vezes preferia não ter sentimentos e acabo por ser uma pessoa fria. Fria e desumana, que magoa mas que ama... Mas depois penso: se não tivesse sentimentos como aprenderia? Afinal, de desilusões e de alegrias construimos a nossa vida, não é? Pois é. Sofrer para aprender, viver para ser feliz, chorar para acalmar, sorrir e conseguir. Mas não são apenas as desilusões e as alegrias que os outros nos dão, são também as desilusões connosco, as desilusões próprias por assim dizer, e as alegrias também! Já que, por exemplo, quando alcançamos um objectivo desejado ficamos contentes e felizes connosco! Sentimos um formigueiro interior e uma alegria crescente, e um sorriso que se desenha por si só, sem darmos conta. E que boa que é essa sensação... No enttanto, é importante voltar ainda a um ponto falado anteriormente: o das desilusões. É sabido que os outros nos desiludem vezes e vezes sem conta, mas é deveras importante que saibamos quando nos desiludimos a nós mesmos e, com isso, aprender a não o repetir, porque não são só os outros que nos ensinam, também aprendemos sozinhos. Ohh, e o que eu já aprendi sozinha... A chorar por vezes, lavadíssima em lágrimas e a sentir-me a pior pessoa do Universo, mas soube dar a volta e tirar daí uma lição, ainda que o orgulho teima-se em não me deixar ver a Razão.
Agora, neste preciso momento, sou uma pessoa melhor que à pouco mas pior que daqui a bocado, pois todos os instantes são novos ensinamentos e todos os ensinamentos acrescentam algo de novo ao meu ser. Para o Bem e para o Mal irei sempre ter novas ideias e novos pensamentos e novos sentimentos e novas emoções mas, independentemente do que possam dizer, serei sempre eu mesma, pois apesar de tanta novidade que nos invade ao longo dos dias, das horas, dos minutos, há algo em nós que não muda, que é sempre o cerne de quem somos, que faz de mim a Carolina e de ti quem tu sejas. Pelo menos é assim que eu penso...
Por isso, agradeço aos corações que quebrei e a quem quebrou o meu, pois agora somos todos pessoas mais fortes, cada um à sua maneira, pois as lições retiradas de uma mesma desilusão (como é o caso) ou de uma mesma alegria são diferentes para todos: a Moral da história é designada por ti, por mim, pelo outro, e nunca por um ser superior que nos ordena o que retirar dali. Eu sou eu, e não tenho a mesma visão que tu. Mas pronto, apesar das lições retiradas não vale a pena dizermos a célebre frase de quando nos recordam um mau bocado que passámos: "ah, já nem me lembrava disso!..." porque, muito sinceramente, é mentira. Tudo deixa cicatriz, tudo deixa a sua marca e, exemplo disso, é a forma como comecei este texto e, também, como o vou acabar.
Lembro-me perfeitamente de ter o coração partido.
Lembro-me perfeitamente de ter partido corações.
Miau.