segunda-feira, 6 de junho de 2011

   Nunca vivi na realidade. Ou melhor, vivi, mas resolvi apagar da minha memória todos os momentos em que senti que a mágoa, a dor, o cravar sentido de uma farpa no coração, me arrancavam um pedaço, me entristeciam, me faziam ver que este sítio onde vivemos não passa disso mesmo: de um sítio. E com sítio quero dizer apenas um lugar onde nada devemos a ninguém mas todos nos devem a nós, em que reina o rico e morre o pobre, onde existem problemas de obesidade e gente a morrer à fome, onde espezinhamos quem purifica o ar que respiramos, entre tantas outras coisas estranhas que, sinceramente, não cabe na cabeça de ninguém. É tão triste este Mundo em que vivo... Mundo este que por si só era perfeito mas que teimamos em estragar...
   Mas, e voltando ao tema inicial, não vivo na realidade, não suporto as injustiças, não quero acreditar na maldade por prazer e, todos os dias, sou apanhada no fogo cruzado entre o meu mundo perfeito e o mundo real... Choro, não quero acreditar, não suporto o aperto na garganta, aquele aperto que sentimos quando não queremos chorar e fazemos muita força para que tal não aconteça... Para que não pensem que somos uns patetas choramingas... Mas é impossível reter alguma lágrima perante os actos maquiavélicos que estes seres humanos, que se consideram muito racionais, têm. É ridícula tanta maldade, tanta indiferença. Serei a única pessoa a achar que a loucura se instalou de vez? Serei a única a pensar que nada disto é normal? Começo a acreditar que sim... Quando somos governados por pessoas que não mexem um dedo em prol dos outros, quando vemos inocentes a serem bombardeados por questões que nada têm que ver com o seu bem-estar (e venha petróleo!), quando vemos crianças a serem espancadas, outras enjauladas e estes senhores ficam quietinhos no seu sofázinho fofinho a ver o seu canalzinho preferido... Tão queridinhos, não são? Ridículo. 
   É melhor terminar por aqui, que a realidade é mesmo uma porcaria e, por isso, mais vale fazer como sempre fiz: tentar nunca viver na realidade, ansiar um mundo perfeito, onde todos são bons, onde todos são felizes. Pelo menos não choro, não me enervo, não sofro e, como tal, vou desligar a televisão dos canais de informação que, dali, nada de feliz virá, só desgraça.


                                                                                                                                                     Miau.